Eu catador,
Dia e noite, tateio
Apalpo o resquício do teu consumo
Em busca do meu consumo
Penso em minha família,
Tateando
Vivo com o estômago reivindicando
Tateando
Tateio lata, tateio papel
E tento fazer minha filha acreditar em papai Noel
Tateando
Construí uma casa, quatro paredes e um teto.
E no quintal um bordel
Tateando
Nem sequer existo no papel
Tateando
Ai, um caco de vidro
E meu dedo pro "beleleu"
Tateando.
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