Finja que o mundo ao seu redor é comum assim como é para os desesperados, perdidos e ingratos.
Negue sua preferência pela dor e pelo amor, mas afirme que ama o torpor, o cobertor e o beijo rápido e sem sabor. Que olhar o rio é patético e que a sombra de uma árvore refresca tanto quanto a sombra do teto insensível de sua casa.
Diga que ama a noite entre corpos bêbados e desconhecidos, e que o beijo recebido sem motivo é tão bom quanto qualquer outro beijo amado.
Finja que os valores não degradaram ou então, ao menos, finja que este mundo de agora o mantêm vivo.
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