segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Falecido

Desculpe-me, matei-te.

Matei-te em mim

Meus olhos se liquefazem diante de teu corpo estático e frio

Minha mão trêmula aperta meu peito a fim de revivê-lo

Mas, matei-te.

E se agora jaz em meu peito, é porque a muito estou sepultado no teu.

Ondas de lágrimas quebram no recife dos meus olhos

Revoltando-se em uma ressaca longa...longa

Por tua e minha morte

Não como “Romeu e Julieta”, mas como Judas e Cristo.

E não por amor ou traição,

É que a fome e o egoísmo em nós são maiores

Eu faminto, louco por ti

E tu, egoísta por ti.

Tirastes teu amor de mim

Desesperado, matei-te em mim

A sangue frio e olhos transbordando em lágrimas.

 

Porém, tal morte tem preço imediato,

O ar me rejeita

Meus cabelos não mais se movem ao toque do vento e muito menos encharcam-se ao banhar-me

A água se faz ácida ao toque da minha carne imunda e mal cheirosa de tanta dor e falta de compaixão.

Meus amigos estatuados

A solidão mais do que nunca minha companheira

Ela me acorda, ela me lava, ela me ama, ela me mata.

Um comentário:

  1. olá!
    eu gostei muito dessa poesia, queria usá-la por um tempo no meu perfil no orkut. Será q posso?

    ResponderExcluir