É impressionante como discursos feitos sobre as mais simples relações humanas, podem nos acrescentar conhecimentos fundamentais que têm a capacidade de alterar nossas atitudes e clarear nossos conceitos. E é mais impressionante ainda quando tais discursos vêm de indivíduos que são ignorados pela sociedade, como os mendigos. A capacidade que alguns destes têm de discursar sobre as atitudes que eles já presenciaram é até mesmo espantosa. E o interessante que tais discursos são reclamações que estão misturadas entre conceitos recorrentes em nosso dia-a-dia, por exemplo, o preconceito. Mas o que instiga é como tais pessoas muitas vezes querem apenas alguém para escutá-las e dirigir a palavra a elas, porém são ignoradas, maltratadas e tratadas simplesmente como algo que somos obrigados a conviver. Os que as ignoram perdem minutos de sabedoria que para muitos, infelizmente, seria necessária. Já os que as escutam fazem total diferença no meio, pois amenizam a insatisfação de pessoas que foram largadas, simplesmente largadas pela sociedade, e, além disso, adquirem o conhecimento de que o preconceito e muitas outras ações podem causar na mesma sociedade que ignora e submete indivíduos ao nada existencial. Então, pode-se afirmar que indivíduos jogados a margem podem não ser ou deixarem de ser violentos se nossas atitudes em relação a eles não forem agressivas, se não agredirem o que resta do ego e do “amor próprios” deles, a não ser nos casos de dependentes e alienados, pois não estão e não são sãos. Basta que sejamos compreensíveis com a condição deles, basta apenas não agirmos a partir de critérios materiais. Pois qual fator crucial que isso interfere, a não ser nas regalias?
Zé da Esquina