Ficamos esperando na esperança de um dia não esperar. Mas a vida se desfaz lentamente em cinzas, e nós a esperar. E mal sabemos do que se trata o nosso esperar, apenas esperamos, em uma ingênua teimosia de criança que nos passa despercebida. Há algo para se esperar?
E de tanto esperar, a vida cansa de nos esperar, mas ela sabe... Ela sabe que nunca chegaremos. Ela sabe que estamos estáticos em nossa fraqueza, e não entendemos e talvez não enxerguemos os motivos para nos mover. Esperar cansa, pois não chegamos a nada e nada chega a nós, mas esperamos. Esperamos zelosos pela nossa esperança e ao mesmo tempo pela nossa cegueira, incapazes de desistir de tal zelo, como uma mãe diligente por um filho dado a perdição. E se não esperássemos, ficaríamos sentados, quietos, imóveis, completamente imóveis. Pois sem o esperar não havemos, do mesmo modo que não somos sem o sangue. Mas que obrigação! Que amolação, meu Deus!
Divinópolis, vinte de fevereiro de 2009.
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Procuro algum calçado que combine com minha caminhada ao nada. Achado, calço-o, obviamente, e deixo meu esconderijo e saio a andar sem destino algum. Andarei até encontrar um bar chamado “Nada”, lá sentarei. Não beberei nada, muito menos comerei. Ficarei sentado até me cansar do nada. E quando me cansar desistirei da vida, pois se me cansei do nada, imagine do restante!
Divinópolis, vinte de fevereiro de 2009
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Ver é uma opção que cada um pode escolher. Alguns vêm, outros não. Simplesmente assim: divido em dois grupos. É claro, que alguns vêm, mas fingem não ver, mas vêm. Outros realmente não vêm, mas se esforçam para ver, sem deixar a habitual escuridão. Todos uns infelizes! Pois uma vez visto, tudo aquilo que via dantes desmorona, e se fingir que não vê, a infelicidade é maior ainda, pois terá de fingir e ver o resto da própria existência. Já os que não vêm, são infelizes por não saberem do outro significado que tudo tem, vivem isolados da outra parte. E os que se esforçam para ver, coitados, são apenas esforçados, se esforçarão cegos o resto da própria existência, tropeçando naquilo que não se vê. Ver não cabe ao esforço de ninguém, é algo apenas que desabrocha, mas não com a doçura e beleza como no caso de uma flor.
Divinópolis, vinte de fevereiro de 2009
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Florentino Aperreamento
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
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