terça-feira, 10 de março de 2009

Flor de fundo

Guardado no fundo do quintal esta minha maior flor

Não fui eu que guardei.

Ela amanheceu lá, quis

Que eu a visse daqui.

Vi, e?

Chorei.

Perda da participação

Pensava sobre a Participação. Logo em um dia que não participei de realmente nada. É claro que foi por isso que eu pensei na tal participação. Talvez, eu com meus atuais trinta anos, não fui dado a participar a nada, ou talvez, quem sabe, não quis participar de realmente nada. Mas não creio que tenha sido isso que me trouxe para essa minha presente situação.

Acredito que fora apenas aquela atitude tomada naquele dia tomado pela minha euforia, a qual de tão eufórica, deixara todos eufóricos. Fora aquela atitude típica de pessoa efusiva e tomada pelas boas sensações. E me esqueci por um dia, talvez por alguns dias - o que era algo muito fácil de acontecer, esqueci-me que sensações boas e duradouras tiram-nos o bom senso. O bom senso de nos guardar, pelo menos de me guardar.

E há sentimento melhor do que o de que você pode com tudo e com todos, e há sentimento mais traiçoeiro que este? E há maior tolo do que eu por ter acreditado nessa baboseira? Foi o que fiz até agora. E quem dirá que não continuarei assim até amanhã ou depois de amanhã, depois, de depois, de depois? A teimosia é algo inato a mim. E eu sei muito bem disso.

Não me lembro bem do dia, por que ele fora realmente importante e bom para mim, mas não me lembro. E não sei se quero lembrar, nem sequer me esforço. Hoje é inútil me esforçar, não que eu tenha algo incurável, na verdade acredito que eu seja algo incurável. Mas o que é curável e o que pode ser curado?

Enfim, naquele dia chegando a minha casa, fui tomar banho e mesmo no calor da água, que é ótimo para relaxar, eu estava eufórico e era arrebatado por lembranças e sensações descomunais. Logo depois, deitado na cama, com o corpo fresco e roupas frescas, mas o peito ardente. Prometi para mim mesmo que seria alguém dado as pessoas, dado a vida, foi aí, a partir daí, que perdi minha participação. Um dia saberei por que, mas se eu morrer sem saber, por isso não hei de padecer. Esqueci que não vivo, pois já não participo. E onde há vida sem a Participação...Participação...participa...partici...

Camilo das Dores

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

É impressionante como discursos feitos sobre as mais simples relações humanas, podem nos acrescentar conhecimentos fundamentais que têm a capacidade de alterar nossas atitudes e clarear nossos conceitos. E é mais impressionante ainda quando tais discursos vêm de indivíduos que são ignorados pela sociedade, como os mendigos. A capacidade que alguns destes têm de discursar sobre as atitudes que eles já presenciaram é até mesmo espantosa. E o interessante que tais discursos são reclamações que estão misturadas entre conceitos recorrentes em nosso dia-a-dia, por exemplo, o preconceito. Mas o que instiga é como tais pessoas muitas vezes querem apenas alguém para escutá-las e dirigir a palavra a elas, porém são ignoradas, maltratadas e tratadas simplesmente como algo que somos obrigados a conviver. Os que as ignoram perdem minutos de sabedoria que para muitos, infelizmente, seria necessária. Já os que as escutam fazem total diferença no meio, pois amenizam a insatisfação de pessoas que foram largadas, simplesmente largadas pela sociedade, e, além disso, adquirem o conhecimento de que o preconceito e muitas outras ações podem causar na mesma sociedade que ignora e submete indivíduos ao nada existencial. Então, pode-se afirmar que indivíduos jogados a margem podem não ser ou deixarem de ser violentos se nossas atitudes em relação a eles não forem agressivas, se não agredirem o que resta do ego e do “amor próprios” deles, a não ser nos casos de dependentes e alienados, pois não estão e não são sãos. Basta que sejamos compreensíveis com a condição deles, basta apenas não agirmos a partir de critérios materiais. Pois qual fator crucial que isso interfere, a não ser nas regalias?

Zé da Esquina

Reflexões

Ficamos esperando na esperança de um dia não esperar. Mas a vida se desfaz lentamente em cinzas, e nós a esperar. E mal sabemos do que se trata o nosso esperar, apenas esperamos, em uma ingênua teimosia de criança que nos passa despercebida. Há algo para se esperar? 
E de tanto esperar, a vida cansa de nos esperar, mas ela sabe... Ela sabe que nunca chegaremos. Ela sabe que estamos estáticos em nossa fraqueza, e não entendemos e talvez não enxerguemos os motivos para nos mover. Esperar cansa, pois não chegamos a nada e nada chega a nós, mas esperamos. Esperamos zelosos pela nossa esperança e ao mesmo tempo pela nossa cegueira, incapazes de desistir de tal zelo, como uma mãe diligente por um filho dado a perdição. E se não esperássemos, ficaríamos sentados, quietos, imóveis, completamente imóveis. Pois sem o esperar não havemos, do mesmo modo que não somos sem o sangue. Mas que obrigação! Que amolação, meu Deus!

Divinópolis, vinte de fevereiro de 2009.
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Procuro algum calçado que combine com minha caminhada ao nada. Achado, calço-o, obviamente, e deixo meu esconderijo e saio a andar sem destino algum. Andarei até encontrar um bar chamado “Nada”, lá sentarei. Não beberei nada, muito menos comerei. Ficarei sentado até me cansar do nada. E quando me cansar desistirei da vida, pois se me cansei do nada, imagine do restante!

Divinópolis, vinte de fevereiro de 2009
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Ver é uma opção que cada um pode escolher. Alguns vêm, outros não. Simplesmente assim: divido em dois grupos. É claro, que alguns vêm, mas fingem não ver, mas vêm. Outros realmente não vêm, mas se esforçam para ver, sem deixar a habitual escuridão. Todos uns infelizes! Pois uma vez visto, tudo aquilo que via dantes desmorona, e se fingir que não vê, a infelicidade é maior ainda, pois terá de fingir e ver o resto da própria existência. Já os que não vêm, são infelizes por não saberem do outro significado que tudo tem, vivem isolados da outra parte. E os que se esforçam para ver, coitados, são apenas esforçados, se esforçarão cegos o resto da própria existência, tropeçando naquilo que não se vê. Ver não cabe ao esforço de ninguém, é algo apenas que desabrocha, mas não com a doçura e beleza como no caso de uma flor.

Divinópolis, vinte de fevereiro de 2009
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Florentino Aperreamento

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Olhos caídos

Por gentileza,  escondam os meus olhos
Eles não podem ser vistos
É que neles há a escuridão do abismo e o brilho de "Hiroshima"
Neles o amor se mostra desfeito, e são como um homem descrente com a vida
A miséria dos pobres está neles,
E eles esqueceram de olhar para a esperança dos mesmos.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Tolo Assassino

Em um efêmero momento insensato
Eu, homem tolo e indigno que sou
Me traí
Tropecei em minha ignorância
E vi com o rosto colado ao chão
Tudo o que tinha esparramar-se
Vi o que carregava em meus braços
Estender-se pelo chão e desfazer-se em rubro sangue
Tão rubro quanto meu rosto
Mutilado pela vergonha de ter traído a mim mesmo
Eu que fui menino,
Por muito tempo peregrino
Que construí em uma mulher mil fascínios
Hoje, e pelo resto da minha vida, sou um maldito assassino
Esquartejei a nossa tão delicada paixão
Que tolice meu Deus, que tolice!
Me submeti as vulgaridades dos homens vulgares.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Oh, "Divina"

Ah, pequenina Divinópolis, daqui desta minha janela te observo muito da quietinha - pois hoje é domingo, com suas poucas arvorezinhas. São tão poucas que me entristece, pois nada melhor que o perfume do verde pelo ar e a sombra tão fresquinha provida por elas. Ah, que delícia seria o caminhar pelas suas ruas!
Sabe, pequena "Divina", vejo-te tão abandonada. Não há quem possa te embelezar para que demonstre sua latente beleza. E os bons observadores muito lhe faltam . Faltam-lhe os que sabem extrair o prazer a partir do olhar de suas esquinas, praças e dos seus inúteis e inumeráveis bares, mas que são maravilhosos e acolhedores ao anoitecer.
Ah, Divinópolis, como divinopolitano esperançoso que sou, creio que um dia hei de te ver mulher, "Divina" mulher!